As diversas pesquisas realizadas a respeito do câncer têm garantido o progresso no conhecimento do câncer de pulmão. Considerado o mais freqüente entre todos os tumores malignos, o câncer de pulmão apresenta um aumento de 2% ao ano na sua incidência mundial. Segundo dados do INCA (Instituto Nacional do Câncer), no Brasil, esta neoplasia foi responsável por 14.715 óbitos em 2000. A estimativa para o ano de 2006, é que o câncer de pulmão deva atingir 27.170 brasileiros (17.850 homens e 9.320 mulheres) em 2006.
Os cânceres que se desenvolvem nos pulmões podem ser classificados em dois tipos principais, o câncer de pulmão de pequenas células e o câncer de pulmão não de pequenas células, de acordo com a aparência destas células ao microscópio. Esses tipos diferem quanto à velocidade de crescimento e na forma como se espalham.
O câncer de pulmão de não pequenas células, normalmente cresce e se espalha mais lentamente que o câncer de pulmão de pequenas células, além de ser o tipo de ocorrência mais comum.
O câncer de pulmão de pequenas células é menos comum que o de não pequenas células, no entanto o primeiro se desenvolve mais rapidamente e está mais suscetível a sofrer metástase para os demais órgãos.
Entre os principais fatores de risco relacionados ao câncer de pulmão, o tabagismo sem dúvida merece destaque especial, sendo responsável por 90% dos casos, independentemente do tipo celular em questão. O uso de cigarros por tempo prolongado induz alterações no epitélio respiratório, uma etapa inicial que eventualmente é seguida da diferenciação completa em células cancerosas.
Outros fatores relacionados incluem agentes químicos, como o arsênico, asbesto, berílio, cromo, radônio, níquel, cádmio e cloreto de vinila (encontrados no ambiente ocupacional); fatores dietéticos, especialmente o baixo consumo de frutas e verduras; doença pulmonar obstrutiva crônica, como enfisema pulmonar e bronquite crônica; fatores genéticos, os quais predispõem à ação carcinogênica de compostos inorgânicos de asbesto e hidrocarbonetos policíclicos aromáticos; alem de história familiar de câncer de pulmão.
Segundo o Dr. Daniel Deheinzelin, diretor clínico do hospital do Câncer em São Paulo, o grande problema do câncer de pulmão é que 70% dos casos que chegam à procura de tratamento, já se encontram em fase avançada da doença, o que torna o prognostico do paciente sombrio.
De todos os tipos de cânceres tratados no Hospital do Câncer em São Paulo, considerado referencia nacional no atendimento dessa doença, 64% dos casos são curados pelos especialistas do hospital; no entanto, as estatísticas se tornam desfavoráveis quando se referem ao câncer de pulmão – hoje, apenas 23% dos casos alcançam a cura.
Essa procura tardia pelo tratamento se justifica pela dificuldade no diagnóstico da neoplasia, principalmente, em virtude do caráter inespecífico dos sintomas inicialmente apresentados. Por exemplo, para o fumante o principal sintoma é a tosse, mas todo o fumante tosse muito e por isso não imagina que este possa ser o sinal de um problema mais grave. Outros sintomas podem ser perda de peso e uma dor, normalmente confundida com dor muscular. A tosse com sangue, dificilmente ocorre como primeira manifestação.
Os sintomas podem ainda variar dependendo da localização do tumor no pulmão. Tumores de localização central provocam tosse, sibilos, dor no tórax, escarros com sangue, falta de ar, e pneumonite. Os tumores de localização periférica dificilmente apresentam sintomas. No momento em que eles invadem a pleura ou a parede torácica, causam dor, tosse e dispnéia (falta de ar), pela pouca expansibilidade dos pulmões. Uma pneumonia de repetição também pode ser um indicativo de câncer de pulmão.
As medidas de prevenção primária são as de maior eficácia no combate ao câncer de pulmão, ou seja, o combate do tabagismo ainda é a melhor forma de se obter a redução do número de casos e da mortalidade.
Autor(a): Mônica Nazaré Buanain Rossy
Acadêmica de Medicina da UFPA, membro da LAOPA.
