Volto ao assunto, em um misto de surpresa e alegria, pelas reações que despertou nosso artigo em uma das últimas edições do Estetoscópio.

Em um primeiro momento, fui procurado por pacientes e associações de pacientes portadores de câncer, até de estados vizinhos, que imediatamente se mobilizaram, fazendo com que fossem emitidos documentos que chegaram ao seu trâmite normal, beneficiando inúmeras pessoas e famílias. Nosso hospital de referência estadual, o Ofir Loyola, já está com programação de educação continuada pronta para os pacientes que têm iniciado o tratamento. No momento, a Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica, através da Regional Norte, está viabilizando a edição de uma monografia, em que a autora, sra. Maria Cecília Mazariol Volpe, mostra em minúcias as orientações a serem dadas aos pacientes para que façam valer seus direitos.

No entanto, nossa primeira constatação é que o câncer, outrora doença que estigmatizava os pacientes, uma doença, há anos, classificada com crônica, perdeu muito desse peso, à medida em que acreditamos em sua cura.

O que varia é como encarar as diversas fases da doença. Dessa forma, as doenças diagnosticadas em sua fase inicial têm realmente grande índice de remissão completa. Nosso problema começa com a doença avançada, pois o paciente pode sofrer muito, mas a leitura médica vêm mudando com o tempo. Assim, anos atrás, os médicos tinham, por exemplo, dificuldade em prescrever morfínicos, com receio de induzir o paciente ao vício, o que hoje dificilmente se passa, não só só pelo desenvolvimento de novos medicamentos desse grupo, que induzem menos à dependência, como pela certeza que temos de aliviar o sofrimento do paciente. Não temos necessariamente que curá-los, mas de proporcionar-lhes qualidade de vida, reduzindo seu sofrimento. Outro fator é que temos que estimular as famílias a ficarem perto de seus entes queridos, acabando com aquelas condutas que levavam pessoas a dizer: “Não quero vê-lo sofrer”. Com isso, o paciente ficava abandonado, chorando muito nos hospitais, estes muitas vezes especializados em câncer avançado, mas que induziam os pacientes a um grande sofrimento em uma fase da vida, em que o ato de lermos um livro, dar nossa palavra de corforto moral, poder ser importante.

Assim, já conseguimos vitórias com a ajuda da equipe de saúde – médicos, enfermeiros, farmacêuticos, assistentes sociais – e esperamos contar com todos que possam esclarecer aos pacientes que o exercício dos direitos não cura, mas pode aliviar sofrimentos. De nossa parte, estamos aptos a fornecer esclarecimentos agora nas já programadas reuniões de grupos de pacientes e familiares.

Autor(a): Dr. José Luiz A. de Carvalho