Desde a década de 40, quando foram realizados os primeiros tratamentos oncológicos, estamos tentando melhorar os resultados com o uso de medicamentos, também chamados de drogas atineoplásicas, que apresentam resultado efetivo e com menor potencial de risco causado pelos efeitos tóxicos.

Assim, a pesquisa clínica têm se cuidado pelo emprego de medicamentos que tenham diferentes mecanismos de ação, para destruir as células neoplásicas, sem grande dano às celulas normais. Na década de 70, começamos a utilizar a doxorrubicina, que revolucionou o tratamento dos tumores sólidos e dos linfomas com esquemas de tratamento que são utilizados até hoje com bom resultado. Em 80, foi a vez da bleomicina, que, apesar de eficaz em tumores genito-urinários, também têm o problema da toxidade pulmonar, que limita seu uso. Também passamos a utilizar os derivados da platina, o cisplatinum e a carboplatina, eficazes em tumores de diversos órgãos: ovário, mama e pulmão. Nos anos 90, foram introduzidos os taxamos, paclitaxel e docetaxel, e a gemeitabina, agora mais eficazes em tumores de mama e pulmão.

Nos dias de hoje, o que se busca é a melhoria da qualidade de vida dos pacientes, além, é claro, do aumento da sobrevida. Com tudo isso, a tendência da quimioterapia atual é buscar a célula neoplásica como um alvo, o que nos levará a, em curto prazo, termos drogas específicas para cada paciente, e não genericamente como hoje fazemos, apenas com a classificação histopatológica.

O laboratório de pesquisa passará a ter um efeito fundamental com a colocação de cada tipo de tumor em seu caso, indicada a droga necessária para cada alvo, elevando o nível de resposta clínica. É claro que tudo isso a um custo maior. A comunidade, os laboratórios, os governantes e os pacientes deverão ficar cientes de todos esses fatos, para que não venhamos a ter que escolher entre pacientes mais pobres ou de maior poder aquisitivo para o emprego do tratamento adequado.

Autor(a): Dr. José Luiz A. de Carvalho