A cirurgia oncológica é a modalidade de tratamento mais antiga contra o câncer. Graças aos avanços tecnológicos, ao melhor entendimento dos mecanismos de desenvolvimento e progressão dos tumores e à eficácia cada vez maior dos tratamentos com radioterapia e quimioterapia, os resultados do tratamento oncológico, avaliados através das taxas de sobrevida e controle de doença, têm sido cada vez melhores.

Além de objetivar a cura, a cirurgia oncológica é uma especialidade também voltada para o ganho de qualidade de vida. A despeito de toda evolução, a cirurgia realizada dentro de princípios técnicos guiados pelo conhecimento da história natural dos tumores continua sendo a principal arma de combate ao câncer.

A era moderna da cirurgia para o tratamento do câncer teve seu início marcado por uma operação realizada por Ephraim McDowell, em 1890, com a remoção bem sucedida de um tumor de ovário, tendo a paciente sobrevivido por mais de 30 anos. Após essa intervenção, o mesmo cirurgião realizou mais 13 procedimentos semelhantes, proporcionando um grande estímulo para o desenvolvimento da cirurgia moderna de combate ao câncer.

Dois outros marcos que impulsionaram a era da cirurgia moderna foram a introdução das técnicas de anestesia geral, evitando a dor, e dos princípios de antissepsia, minimizando os riscos de infecção. Muitos nomes merecem destaque no âmbito do desenvolvimento da cirurgia oncológica. Albert Theodore Billroth foi responsável pelo aprimoramento meticuloso da técnica cirúrgica (pioneiro na realização de gastrectomia, laringectomia e esofagectomia); Willian Stewart Halsted, em 1809, elucidou os princípios da ressecção em “monobloco”, isto é, a remoção em conjunto dos órgãos e estruturas macroscopicamente comprometidas, com margens de segurança distantes da lesão e com a inclusão de estações linfonodais (gânglios) que poderiam estar comprometidas por células tumorais.

O respeito a esses princípios da ressecção oncológica, válidos ainda hoje para muitas situações, permitiu a expansão da cirurgia de combate ao câncer para os diferentes órgãos.

Com o melhor conhecimento da história natural dos tumores, isto é, dos caminhos de progressão da doença ditados pelo comportamento biológico das células tumorais, a cirurgia oncológica evoluiu no sentido de permitir a realização de operações mais conservadoras, com melhores resultados estéticos e funcionais, sem prejuízo das taxas de cura, o que proporcionou considerável impacto na qualidade de vida. minimizando os riscos de infecçprincdesenvolva de combate ao c

Nos dias atuais, cerca de 90% dos pacientes com câncer requerem cirurgia em algum momento da evolução da doença. Nesse sentido, o cirurgião oncologista pode participar do manejo do doente com câncer em diferentes momentos, todos eles de grande importância para a aquisição do sucesso esperado de cura com qualidade de vida.

Dentre essas etapas, podemos citar as fases de diagnóstico, estadiamento (determinação da extensão de doença), tratamento, resolução de intercorrências decorrentes da progressão da doença ou de seqüelas do tratamento, alívio da dor, aquisição de acessos vasculares e suporte psicológico. A cirurgia é o tratamento de escolha para 90 – 95% dos casos de câncer localizado, mas também pode ter impacto no aumento de sobrevida em situações de doença avançada.

Também é função do cirurgião oncologista reconhecer a necessidade de participação de profissionais de outras especialidades para melhor assistir ao doente, tendo se tornado relativamente comum a interação entre equipes em algumas áreas da cirurgia oncológica.

Nas últimas décadas, um aumento considerável no estabelecimento de divisões em áreas da cirurgia oncológica tem sido verificado, fenômeno que também ocorreu no Brasil nos últimos anos. Esse fato se deve ao reconhecimento de que o manejo adequado do doente com câncer exige, além de capacitação técnica para a execução de cirurgia especializada, conhecimento diferenciado sobre quimioterapia e radioterapia, afim de que as seqüências de tratamento possam alcançar o resultado esperado.

Nesse sentido, espera-se que a formação de especialistas em cirurgia oncológica seja capaz de gerar os seguintes atributos: conhecimento, habilidade, experiência clínica, capacidade de compreender e executar pesquisa em câncer e capacidade de promover desenvolvimento educacional e institucional. Assim, a escolha do cirurgião pode interferir no sucesso do tratamento.

Texto: Dr. Fábio de Oliveira Ferreira