As pesquisas mostram que 40% das brasileiras com idade entre 35 e 49 anos nunca fizeram o exame preventivo. E é essa a faixa etária com maior número de diagnósticos de lesões precursoras do câncer uterino. Isso ocorre porque quem se submete ao exame que diagnostica a doença (Papanicolau), procura os serviços de saúde em busca de métodos anticoncepcionais e do acompanhamento pré-natal. Resultado: as mulheres mais jovens têm menos chances de apresentar lesões malignas no colo uterino.
Por isso, o Ministério da Saúde patrocinou o Programa Nacional de Combate ao Câncer de Colo Uterino. De 18 de agosto a 19 de setembro de 1998, a campanha realizou cerca de 4 milhões de Papanicolau gratuitos em mulheres na faixa etária de maior risco. Aquelas que não podem mais engravidar e que, por isso, não fazem mais os exames de rotina.
Para tal, foram montados 14.400 postos de coleta de material em todo Brasil, com a ajuda de mais de 1000 laboratórios credenciados para as análises clínicas e 749 profissionais de saúde especialmente treinados para realizar a coleta. Até locais de difícil acesso receberam postos de saúde e participaram da campanha. As forças armadas também deram um grande exemplo de solidariedade. A Marinha cedeu 2 navios-hospitais que navegaram pela Região Norte e examinaram as mulheres das comunidades ribeirinhas. Já o Exército facilitou o transporte de equipes e do material para as áreas mais isoladas do nosso país.
Os dados da campanha foram formatados pelos técnicos do Programa Nacional de Saúde da Mulher e do Instituto Nacional do Câncer (INCA). Só a equipe de divulgação distribuiu por todo o país 100 mil cartazes e 10 milhões de fitas cor-de-rosa para amarrar no pulso, além de enfeitar 6 monumentos públicos com gigantescos laços de fita rosa. Artistas famosos também deram uma força na TV e no rádio. Tudo isso ao custo de R$ 2,4 milhões. Parece muito, mas se levarmos em conta que o índice de cura da doença é de 100% e cerca de 6 mil brasileiras ainda morrem de câncer de colo de útero, não é nenhum exagero.
A DOENÇA
O câncer do colo do útero é provocado por um “desarranjo” na estrutura das células. Muitas vezes, conseqüência de uma infecção pelo vírus HPV, que é sexualmente transmissível. Geralmente, o organismo das mulheres se cura sozinho. Mas existem os casos nos quais a infecção evolui para o câncer do colo do útero após 3 ou 5 anos. Na maioria das vezes, pequenas intervenções cirúrgicas são suficientes, mas existe a chance de combinar o tratamento com quimioterapia e/ou radioterapia. Isso tudo é fácil de evitar, pois a cura acontece em 100% dos casos diagnosticados na fase inicial.
Por isso, toda mulher deve se preocupar com a prevenção da doença assim que iniciar sua vida sexual. Inicialmente, o ideal é realizar 2 exames num curto intervalo de tempo, sendo o primeiro, 5 dias após a 1ª relação. Se os 2 primeiros exames derem negativo, a paciente deve repeti-los de 3 em 3 anos.
O Papanicolau não dura nem 5 minutos e pode evitar muito tempo de sofrimento. Sendo assi, deve ser feito por mulheres de todas as idades. Aquelas que o realizaram pela campanha, devem receber a resposta até o dia 19 de outubro. E após a entrega dos resultados, o Ministério irá propor aos Estados brasileiros uma estratégia que permite ampliar todas as áreas de rastreamento, diagnóstico e tratamento do câncer na rotina de atendimento do SUS e, com isso, evitar que mais mulheres percam para uma doença tão fácil de derrotar.
Fonte: Âmbito Farmacêutico
